Sindicato dos Auxiliares Periciais da Polícia Científica do Estado de Santa Catarina

O SinPCi/SC é constituído para fins de estudo, coordenação, defesa e representação legal, individual e coletiva dos Auxiliares Periciais da Polícia Científica do Estado de Santa Catarina, incluindo servidores ativos, inativos e pensionistas, e abarcando todas os cargos de Auxiliar Criminalístico, Auxiliar Médico-Legal e Auxiliar de Laboratório.

Lucas Campelo Correia – A construção da mentalidade policial na PCISC

No ano de 2026, a Segurança Pública vive um período de intenso combate ao crime em Santa Catarina, e três ocorrências policiais nos chamaram atenção devido à relação direta com a Polícia Científica e a atividade pericial.

Primeiramente, durante uma operação do GAECO/MPSC, em um apartamento de um médico investigado, o agressor investiu contra a equipe e baleou um policial, que foi prontamente atendido e passa bem. O segundo caso envolveu uma Agente de Polícia Científica que impediu um agressor, em surto, de atacar crianças em plena luz do dia, na cidade de Lages. E o terceiro embate, em Florianópolis, ocorreu durante a madrugada do dia 23 de outubro de 2026, em que dois policiais militares reagiram a tiros a um ataque de dois agressores armados durante o ISOLAMENTO DE LOCAL DE ENCONTRO DE CADÁVER. Apenas por uma questão de tempo, policiais científicos não presenciaram o tiroteio.

Observa-se, então, um ponto interessante e de fundamental importância: são cenários totalmente diferentes e opostos em vários sentidos. Um deles à luz do dia, o outro de madrugada. Um deles em um apartamento de classe média/alta, já o outro em região com forte presença do crime organizado.

Todavia, existe um fator comum em todos os casos: a presença da Polícia Científica, na figura de seus policiais.

Nós.

E talvez a consciência de que estamos inseridos integralmente no combate ao crime seja o primeiro passo e, na minha opinião, o fator mais importante para construir um comportamento seguro de nossos policiais.

A mentalidade proativa, preventiva e atenta aos cenários presentes nos nossos ambientes de atuação, bem como a preparação material dos Agentes, é indispensável em um momento institucional de crescente visibilidade e exigência de nossa atuação.

A leitura de ambientes e potenciais agressores, o reconhecimento de hábitos nocivos à nossa segurança, bem como a mudança destes e o planejamento e treinamento de técnicas policiais são elementos diretamente relacionados à nossa profissão. Não se trata de desvio da nossa função institucional, tampouco de mera vaidade ou comparação superficial com nossas coirmãs, mas sim por uma necessidade de manutenção da nossa segurança, cumprimento da nossa missão constitucional e, principalmente, SOBREVIVÊNCIA.

Concluo essa breve reflexão com um convite a todos os colegas policiais científicos. Vivemos um período de grandes mudanças, que estão muito além de nossas crenças ou vieses ideológicos. Nesse momento, mais do que nunca, precisamos agir em Unidade e, através dessa abordagem, melhorarmos nossas capacidades como policiais, nosso comportamento preventivo, nossos treinamentos (tanto as capacitações institucionais quanto as iniciativas independentes) e, principalmente, nossa MENTALIDADE POLICIAL, elemento que sustenta todas as outras valências e iniciativas.

O uso de colete balístico não é exagero.

O uso de armamento não é dispensável.

O treinamento de tiro não é mero embuste operacional.

O torniquete não é desperdício de dinheiro.

E a mentalidade policial não é só para as coirmãs.

Fiquem seguros.

Lucas Nascimento Campelo Correia é Agente de Polícia Científica em Blumenau
Instrutor de Armamento e Tiro

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