Sindicato dos Auxiliares Periciais da Polícia Científica do Estado de Santa Catarina

O SinPCi/SC é constituído para fins de estudo, coordenação, defesa e representação legal, individual e coletiva dos Auxiliares Periciais da Polícia Científica do Estado de Santa Catarina, incluindo servidores ativos, inativos e pensionistas, e abarcando todas os cargos de Auxiliar Criminalístico, Auxiliar Médico-Legal e Auxiliar de Laboratório.

Fernando Ramos Damasco  – Coragem não pode depender de uma arma particular

O que aconteceu nesta terça-feira, 18 de agosto, em Lages, merece ser contado não apenas como uma ocorrência policial, mas como um exemplo daquilo que a sociedade espera de um profissional da segurança pública.

Uma Agente de Polícia Científica, que estava em uma farmácia, ouviu gritos e percebeu um homem alterado ameaçando jovens que saíam de uma escola. Quando viu que ele corria em direção às crianças, não ficou indiferente. Largou seus pertences e correu para impedir que o indivíduo alcançasse as vítimas.

A Agente estava armada com sua própria arma particular.

Durante a ação, um Policial Penal que passava pelo local também interveio. O indivíduo reagiu à abordagem e avançou contra o policial, que efetuou disparos para cessar a agressão. Mesmo baleado, continuou investindo contra o agente, sendo necessários novos disparos para contê-lo.

Mesmo depois de contido, o homem continuou apresentando comportamento alterado, proferindo frases desconexas e de cunho sexual. Houve ainda relatos de importunação sexual contra profissionais do SAMU, sendo necessário o acompanhamento de um policial militar dentro da ambulância durante o encaminhamento ao hospital.

Mas existe uma questão que não pode ser ignorada.

A sociedade espera que o policial seja policial quando a situação exige.

Não importa se está em serviço ou fora dele. Quando uma criança está em perigo diante de seus olhos, espera-se que aquele profissional tenha preparo, condições e meios para agir.

Foi exatamente isso que a Agente fez.

E fica uma pergunta inevitável: o que poderia ter acontecido se a Agente de Polícia Científica e o Policial Penal não estivessem armados naquele momento? Havia crianças sendo perseguidas e ameaçadas e um indivíduo em comportamento extremamente alterado, que posteriormente reagiu violentamente à abordagem. Sem meios adequados para interromper aquela ameaça, os agentes poderiam ter ficado sem condições de proteger a si próprios e, principalmente, de impedir que as crianças fossem alcançadas.

Por isso, é preciso dizer de forma clara e objetiva: a Polícia Científica precisa fornecer armamento institucional aos seus policiais.

Não é razoável que um Polícial Científico seja reconhecido pela sociedade como policial, seja chamado a intervir diante de uma situação de risco e tenha que utilizar uma arma de seu próprio patrimônio para proteger vidas.

Se o Estado espera que o policial esteja preparado para agir, o Estado também precisa fornecer os meios necessários para que ele possa agir com segurança.

A colega fez a sua parte. Agora, cabe à instituição e ao Estado fazerem a sua.

Policial Científico é policial.

E quando a população precisa, ela espera que o policial esteja preparado para agir.

Se somos policiais quando a sociedade precisa, precisamos também ter as condições e os instrumentos para exercer essa condição com segurança.

Fernando Ramos Damasco é Agente de Polícia Cientifica em Lages
Presidente do SINPCI

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